Bom? Bom!

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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Homenagem ao meu amigo Ed


TRAVESSIA


"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas,

que já têm a forma do nosso corpo,

e esquecer os nossos caminhos,

que nos levam sempre aos mesmos lugares.

É o tempo da travessia;e se não ousarmos fazê-la,

teremos ficado, para sempre,à margem de nós mesmos".

(Fernando Pessoa, in Vida Simples, edição 53, p. 69)

sábado, 13 de dezembro de 2008

Domingo, 07 de Dezembro em Trës Músicas

Como Nossos Pais - Belchior
Não quero lhe falar, Meu grande amor,Das coisas que aprendi Nos discos...

Quero lhe contar como eu vivi E tudo o que aconteceu comigo Viver é melhor que sonhar Eu sei que o amor É uma coisa boa Mas também sei Que qualquer canto É menor do que a vida De qualquer pessoa...

Por isso cuidado meu bem Há perigo na esquina Eles venceram e o sinal Está fechado prá nós Que somos jovens...

Para abraçar seu irmão E beijar sua menina na rua É que se fez o seu braço, O seu lábio e a sua voz...

Você me pergunta Pela minha paixão Digo que estou encantada Com uma nova invenção Eu vou ficar nesta cidade Não vou voltar pro sertão Pois vejo vir vindo no vento Cheiro da nova estação Eu sei de tudo na ferida viva Do meu coração...

Já faz tempo Eu vi você na rua Cabelo ao vento Gente jovem reunida Na parede da memória Essa lembrança É o quadro que dói mais...

Minha dor é perceber Que apesar de termos Feito tudo o que fizemos Ainda somos os mesmos E vivemos Ainda somos os mesmos E vivemos Como os nossos pais...

Nossos ídolos Ainda são os mesmos E as aparências Não enganam não Você diz que depois deles Não apareceu mais ninguém Você pode até dizer Que eu tô por fora Ou então Que eu tô inventando...

Mas é você Que ama o passado E que não vê É você Que ama o passado E que não vê Que o novo sempre vem...

Hoje eu sei Que quem me deu a idéia De uma nova consciência E juventude Tá em casa Guardado por Deus Contando vil metal...

Minha dor é perceber Que apesar de termos Feito tudo, tudoTudo o que fizemos Nós ainda somos Os mesmos e vivemos Ainda somos Os mesmos e vivemos Ainda somos Os mesmos e vivemos Como os nossos pais...

Faz Um Milagre em Mim - Regis Danese
Como Zaqueu eu quero subir O mais alto que eu puder Só pra te ver, olhar para Ti; E chamar sua atenção para mim.

Eu preciso de Ti, Senhor Eu preciso de Ti, Oh! Pai Sou pequeno demais Me dá a Tua Paz Largo tudo pra te seguir.

Entra na minha casa Entra na minha vida Mexe com minha estrutura Sara todas as feridas Me ensina a ter Santidade Quero amar somente a Ti,
Porque o Senhor é o meu bem maior,Faz um Milagre em mim.


Sorri (Smile) - Charlin Chaplin
Sorri Quando a dor te torturar E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos, vazios
Sorri, Quando tudo terminar Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador Sorri,
Quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz Nos teus ombros cansados, doridos
Sorri,Vai mentindo a tua dor Que ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor Que és feliz

sábado, 20 de setembro de 2008

QUEM VIVER, VERÁ!

No delicioso livro, “Análise dos Conceitos”, o autor, claro, aborda a temática sugerida pelo titulo e a explica fazendo um mergulho na história, cultura, etimologia etc, a fim de alcançar a essência dos conceitos, muitas vezes, diluídos em seus usos e costumes. Falando de conceitos, há de se diferenciar o binômio, conhecimento e sabedoria. Conhecimento é adquirido, vem pela informação, passa pela academia, pela cátedra, pela sala de aula, pelos livros, pelas idéias, está na base da intelectualidade ocidental. A própria ciência, se arvora dele, para se auto-gloriar como deus desse mundo. Eu e você conhecemos homens e mulheres cheios de conhecimentos. Há poucos dias ouvi de uma pessoa a observação sobre uma outra que dizia: Ele é uma enciclopédia! Qual o significado de tal afirmação? É óbvio, aquela pessoa tem um conhecimento acima dos demais, ela versa sobre todos os assuntos, com muita facilidade, eis a enciclopédia. No entanto, a especificação do conhecimento, acabou por produzir aquilo que chamo de ‘ilhas’. Ilha, diz o dicionário, é uma porção de terra cercada de água por todos os lados. Para ficar somente nas ciências médicas; é possível, ver um médico, absolutamente capaz, competente e detentor de apurado conhecimento de um órgão do corpo humano, como o coração, e não ter o conhecimento suficiente para diagnosticar uma lesão lítica, por exemplo. A sabedoria, por sua vez, não passa pela universidade. Ela é forjada nas entranhas do individuo, moldado pela formação que lhe é revelada, não pela escrita, mas pela natureza, pela contemplação, pelos ancestrais, pela cultura ou mesmo pela religião. A sabedoria de um homem pode não fazë-lo ganhar muito dinheiro, mas tem a capacidade de dizer o que é o dinheiro. Existe muito conhecimento, mas pouca sabedoria. Temos muitos cientistas, mas poucos sábios. Há muita ciência, e escassa sapiência. O dito popular pode não ter muita ciência, mas é sábio, quando diz: “Quem viver, verá”. Está no imaginário popular e representa a esperança existencial de que os anos vividos podem ser os juizes de nossas expectativas, ou seja, o que hoje é absurdo, amanhã pode não ser; o que no presente é inimaginável, no futuro, pode ser tão normal como às águas de março; o que no passado foi inegociável, inalienável, irremediável, no presente pode estar na mesa de negociação e na ordem do dia da agenda. Passo a relatá-los uma experiência inusitada, curiosa e no mínimo triste, claro depende do ponto de vista, que acabo de ter. Passava pela opulente Avenida Afonso Pena, em Belo Horizonte, semanas atrás, próximo à charmosa Praça Sete, e vejo uma manifestação política-partidária entusiástica. Até aqui, nada de mais, afinal, neste período, esperamos exatamente isso, que os efêmeros se juntem numa tentativa lúdica de convencimento da massa para seus projetos de chegada ao poder. O fato estranho está nos símbolos gravados nas bandeiras que se agitavam pelo vento firmadas nas mãos de mulheres ávidas por vinte reais no final do dia; dois símbolos, juntos, irmanados, desafiando a história e fazendo sangrar aqueles que já não sonham, mas sonharam... Ei-los: uma estrela vermelha e um tucano azul e amarelo. Nunca pensei que vivesse para ver tal acontecimento, mas vivi e vi. Perplexo? Talvez sim, talvez não. Sinceramente, na encruzilhada daquelas ruas me encontrei e me vi, fui e voltei, parei. Assim, evoco a saudosa memória do mineiro de Itabira, Carlos Drumonnd de Andrade e pergunto como ele o fez: E agora, José?

terça-feira, 16 de setembro de 2008

A DEUS DEMOS GLÓRIA


DEUS DEMOS GLÓRIA

Andraé Crouch escreveu na década de sessenta do século passado, “Como agradecer a Jesus o que fez por mim? Bênçãos sem medida vêm provar o seu amor sem fim...” e concluiu o seu belíssimo hino, com o grande coro, cantado e apreciado por todos os cristãos de todas as épocas: “A Deus demos glória, a Deus demos glória, a Deus demos glória pelas bênçãos sem fim...”. Poucas palavras podem ser dirigidas ao Senhor além dessas por ocasião das celebrações do septuagésimo quinto aniversário de nossa igreja. De fato, a Deus demos glória pelas bênçãos sem fim!

A benção da participação da igreja: Presente nas celebrações; gente feliz, adorando e agradecendo ao Pai a razão de sua existência como povo adquirido, propriedade exclusiva Dele que os tirou das trevas para a luz. Aqueles que foram chamados ou se apresentaram à execução de tarefas específicas no planejamento e ação foram bênçãos para mim particularmente e para a igreja; trabalhando com amor, dedicação e muita responsabilidade. A Deus demos glória!

A benção da pregação: Pastor Éber Silva, no todo da palavra, um homem de Deus. Obreiro dos mais polidos do ministério batista brasileiro. Foi prazeroso ouví-lo. Seus testemunhos e sua mensagem biblicamente fundamentada levaram-nos a refletir, e muito, sobre o tema sugerido, os desafios da igreja na atualidade. Fomos tocados e abençoados! A Deus demos glória!

A benção da adoração: O Renascença na liderança do maestro Waldenir de Carvalho, caminhou pelo clássico e contemporâneo com naturalidade e habilidade. Experimentamos um tipo de música que agregou todos os gostos e gerações e, simplesmente, deixou-nos apaixonados pelo grupo e sua música. Num momento tão critico e mercadológico que vive a música evangélica brasileira, vimos e ouvimos que ainda há os que se diferenciam pela qualidade, seriedade e espiritualidade. A Deus demos glória!

A benção da irmã Nair: Que momento sublime! As palmas ecoaram por todo o templo. Espontaneamente a igreja de Cristo se manifestou, agradecendo a Ele, o Senhor Jesus, pela vida dos pioneiros, e ali, representada naquele momento histórico, com graça, beleza e firmeza, por nossa querida irmã Nair; a fundadora, batizada no mesmo dia, mês e ano da organização da nossa congregação. A Deus demos glória!

A benção da renovação de propósitos e metas: O conjunto da obra, numa simples análise, nos leva a olhar para frente. Nossos pés estão arraigados no presente, nosso coração viaja ao passado, mas nossos olhos estão, de maneira inequívoca e irrevogável, projetados para o futuro. A conclusão que chegamos é única: SIM, NÓS PODEMOS! A Deus demos glória!

A benção do sofrimento: Nas Escrituras, nossa regra de fé e prática, são revelados os preceitos do Senhor para nossas vidas. Nem sempre o que queremos ouvir; mas o que precisamos, estão registrados na Palavra do Eterno. Às vezes, questionados por muitos ou mesmo, abertamente rejeitados por outros, mas a verdade é única: Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias provações...’. Diferente do que alguns acreditam, mas nos outros, nunca neles, não existe igreja perfeita; não existe cristão perfeito. Existem sim, igrejas e cristãos, que lutam, se desafiam, buscam, olhando para Cristo, fazer a vontade do Pai, cheios e encharcados da Sua graça. A Deus demos glória, pelas benções sem fim, inclusive a benção do sofrimento, seja pessoal, familiar ou eclesiástica, pois sabemos, pela Palavra que ‘...a prova da nossa fé produz a paciência. Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltarem coisa alguma’. A Deus demos glória, hoje e sempre!


Pr. José Marcelo

terça-feira, 2 de setembro de 2008

PIB-GV - 75ANOS

PASTORAL:

OS DESAFIOS DA IGREJA NA ATUALIDADE

Usando a idéia do rabino, Abraham Joshua Heschel, citado por Brenam Manning, em seu excelente livro “O Evangelho Maltrapilho”, diria que o maior desafio da igreja na atualidade, é voltar ao assombro. Isso mesmo! De modo geral, o mundo perdeu o senso e a capacidade de assombro, e a igreja de Cristo, por sua vez, também o perdeu. Já não nos assombramos! Já não perdemos o fôlego diante de um Arco-íris, ou de um canarinho a cantar, o pôr do sol na Ibituruna não nos toca, o rio doce já não nos seduz, temos a capacidade de morar ao lado dele, e passar um ano sem olhar para ele, a “necessidade do necessitado” não agride a nossa consciência, não compramos lenços, pois não choramos mais, não reivindicamos, pois não lutamos, deixamos de ser ‘companheiros’, perdemos as idéias, a idéia e a ideologia; nem mais gritamos, acabou a voz e calaram-se os profetas, deixamos, inclusive, de nos ajoelharmos, como antes... O que aconteceu? Crescemos! Ficamos maiores e todo o resto ficou menor, menos impressionante. Tornamo-nos apáticos, sofisticados, cheios de sabedoria do mundo. A criatura tornou-se maior que o criador. Transformamo-nos numa elite, para não dizer, burguesia eclesiástica, detentores dos meios de produção do “entretenimento gospel” e na maioria das vezes, do lucro da produção. À medida que a civilização avança, e a igreja cresce e agrega novos métodos e valores, o senso de assombro declina. Senão nos assombramos: não oramos, não jejuamos, não cremos... Para quê? Se o que é certo é o que da certo! Assim caminha a humanidade...

Ficamos tão preocupados conosco, com as palavras que falamos, com os planos e projetos que concebemos, com a ditadura da beleza, com a guerra do crescimento, com os números e as cifras, que nos tornamos imunes a glória da criação. Mal notamos a plasticidade do orvalho, nem percebemos as estrelas do céu, ignoramos o assovio, que estranho; de repente, descubro isso também, não temos assoviado. Estamos tão acostumados ao embalo do embalado que nunca paramos para pensar que o que está na embalagem, brotou da terra, nasceu pela liberalidade e bondade da criação de Deus. Acostumamos com as transformações ordinárias e comuns, porque o discurso diz que só vale o extraordinário e o sobrenatural, esquecendo-se dos notáveis pais da fé que vislumbravam o novo e o grande num simples musgo que crescia pela manhã depois de uma noite chuvosa. Desdenhamos das conversões, usurpamos a ação livre do Espírito Santo e a subjugamos a um emaranhado de estratégias, como que o vento fosse prisioneiro dele mesmo, esquecendo-nos que ele é livre e por isso, sopra onde quer. Perdemos a experiência do assombro, da contemplação e da maravilha.

Igreja! Voltemos ao assombro, eis o nosso maior desafio! Voltar a chorar, a amar, a adorar, a meditar, a lutar, voltar à simplicidade, simplesmente, voltar. E, nesse exercício livre da fé, experimentar no ardor das fornalhas, nos fios das navalhas, nas popas dos barcos nas tempestades, nos vales sombrios e escuros, nos pântanos e lamaçais, a maravilhosa e inefável graça de Cristo.

Com assombro,

TEOLOGIA


sábado, 30 de agosto de 2008

OS ÚLTIMOS DIAS

PASTORAL

OS ÚLTIMOS DIAS

Obviamente, não me refiro ao “eschaton”, a doutrina bíblica dos finais dos tempos, mas, simplesmente, aos meus últimos quinze dias. Tudo começou no dia dos pais – Deus sabe o que faz. Ao terminar o almoço na casa do casal de amigos e ovelhas, Arnaldo e Cláudia, o telefone toca e há urgência no contato com meu irmão, pastor Evandro está internado em Manhuaçú. A voz de sua esposa, ao falar comigo, não me deixou dúvida, devo me dirigir para lá. Ao receber o total apoio de minha querida esposa e filha, convoco o amigo e ovelha Joelias, que também deixa seus familiares e família a mesa e partimos ao encontro do meu irmão.

Chegando ao Hospital César Leite, reencontro o mano, não como sempre o via, mas prostrado, acometido por uma forte infecção que se espelhou por todo o seu corpo, tirando sua alegria e mobilidade. Foram alguns dias de indefinição... até que, após oito radiografias, o diagnóstico pede urgência na remoção para Belo Horizonte. Feito os preparativos, sábado, ou seja, seis dias depois, tomamos a estrada em direção ao Hospital das Clinicas.

Hoje, quando escrevo essa pastoral, e a envio, estou numa quarta-feira, e graças à tecnologia, envio para o secretario colocá-la no boletim que estamos lendo agora no domingo. Nesta quarta-feira, a equipe médica, resolveu, iniciar o tratamento específico da doença que foi diagnosticada, mieloma múltiplo: é um câncer que se desenvolve na medula óssea, devido ao crescimento descontrolado de células plasmáticas. Embora seja mais comum em pacientes idosos, há cada vez mais jovens desenvolvendo a doença. As células plasmáticas fazem parte do sistema imunológico do corpo. Debelada a infecção, diagnosticada a extensão e a agressividade da doença, teremos melhores informações sobre o tipo de tratamento, que pode chegar ao transplante da medula.

Os últimos dias da minha vida foram difíceis, mas não os piores, Deus tem ensinado a mim e a minha família a aceitarmos a dor como um dos seus propósitos para nos aproximarmos mais Dele e de sua vontade. Lutas e lutadores como Ana Paula, José Evandro, irmã Helena, irmão Djalma, irmãs Rute e tantos outros nos inspiram a confiarmos indiscutivelmente no Senhor e na força do seu poder.

Cada amanhecer, nesses últimos dias, ao olhar para o meu irmão tenho a confirmação daquilo que nunca duvidei: é um homem de Deus!!! Sua serenidade, seu humor (às vezes diminuído, é claro), sua confiança e seu nunca, nunca, desespero têm me mostrado como é bom saber que o meu Redentor vive e que por fim se levantará sobre a terra.

Agradeço com toda a intensidade da minha alma o apoio da minha esposa e filha, pela compreensão da minha ausência. Louvo a Deus pela vida de minha igreja, nas múltiplas manifestações de carinho, amor e compreensão de cada um. Alegro-me pela liberalidade da liderança da igreja em me deixar à vontade para estar ao lado do meu irmão, isso não tem preço...e pela sempre presença na substituição dos meus ofícios com muita competência e disponibilidade.

Os próximos dias da minha vida não sei como serão, mas uma coisa sei: seja aonde for, como for, o Senhor estará comigo, com o pastor Evandro e sua família e com todos os que o amam!

CHEGAMOS


CHEGAMOS... alguns nos perguntavam, por que não vinhamos? É porque somos desconfiados, somos quase mineiros. Ás vezes não somos normais, nem mortais, afinal, não somos deste mundo. Mas, aqui estamos nós. Até quando não sabemos; temos conversado e achamos que será até o vasco ser campeão da libertadores, de novo. É, parece que vai ser por um bom tempo; mas não temos pressa, somos pacientes. Por um tempo seremos crentes, por outros, descrentes, ou mesmo hereges, mas não temos medo de fogueira, já passamos por algumas e até gostamos... fez-nos bem! Ai, ai... carrapato não tem pai. Estamos por aí, e por aqui...